AMAMENTAR VAI MUITO ALÉM DO QUE SIMPLESMENTE NUTRIR

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01 agosto 2017

Eu nunca pensei em não amamentar. Apesar de saber que poderia não ser fácil, que talvez houvessem obstáculos no caminho, eu nunca cogitei essa hipótese. 

Quando Caio nasceu, depois de uma gravidez repleta de riscos e uma ida para UTI com urgência, eu vi meus planos da amamentação irem por água abaixo. Comecei a acreditar que pelo baixo peso e as complicações da prematuridade ele não iria pegar o peito. 
Só pude vê-lo dois dias depois de seu nascimento. Nesses dois dias eu não tinha leite, meu corpo foi pego de surpresa no auge de sua 33ª semana de gestação. Foi graças ao Banco de Leite que Caio não foi diretamente introduzido à fórmula.
No dia em que recebi alta para visitá-lo na UTI, não pude pegar ele no colo. Foi nessa hora que ao mesmo tempo que desabava pela situação, recebi o consolo e colo que precisava. O pediatra chefe da NeoNatal me incentivou a amamentar, conversou comigo sobre o assunto e me instruiu muito. Ali senti que meu sonho não tinha terminado.

Enfim, nosso encontro aconteceu no terceiro dia e sim, pude colocá-lo no peito. Meus seios estavam enormes, inchados e duros. Foi aí nossa primeira dificuldade. Caio com apenas três dias e muito frágil não tinha força para sugar. Ele puxava por uma ou duas vezes e não conseguia mais. As enfermeiras me falaram sobre a bombinha. Tirava o leite, armazenava para a madrugada e com o seio um pouco mais vazio, facilitava a amamentação. Caio logo aprendeu a sugar, em poucos dias engordou o necessário para sair da UTI. Escutar o médico na alta dizer que, aquilo só estava acontecendo graças ao meu leite foi recompensador.

Mas ele saiu da UTI e foi para casa. E por mais qe ele mamasse em livre demanda, por mais que ele se alimentasse com a pega certinha, Caio não ganhava peso. Primeira consulta no pediatra, peso estagnado. Segunda consulta no pediatra, perda de peso. Fomos apresentados a terrível fórmula. Chorei. Me senti fracassada, não entendia o porque meu leite não era o suficiente. Fui contra todas as orientações do pediatra e continuei apenas com a amamentação. Fui por instinto e continuei amamentando ele, rezando para que seu peso aumentasse. E deu certo.

Caio prosseguiu a amamentação exclusiva até os seis meses, até seus 3 anos e 4 meses eu já estando grávida do Guilherme.

Eu não quis parar de amamentar, não quis cortar o vínculo. Amamentar para mim vai muito além do que simplesmente nutrir. Amamentar é uma troca única entre mãe e filho, é o contato, é superação, é amor. Caio escolheu a hora de parar de mamar, tivemos uma despedida singela, sem nenhum trauma, baseada no respeito.

Amamentar não me ensinou apenas sobre benefícios entre mãe e filho. Amamentar me ensinou a entender sobre o verdadeiro sentindo da palavra doação.
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