MEU RENASCIMENTO COMO MÃE | RELATO DE PARTO DO GUILHERME

💙
29 junho 2017

Para quem acha que mãe é tudo igual, gravidez é tudo igual, taí um grande engano da vida! As surpresas são inesperadas e Deus desenha cada passo de uma forma. E vou te dizer, é surpreendente como é emocionante ter a oportunidade de vivenciar tudo isso.

Se eu tivesse dez vidas, nas dez eu teria de viver a experiência de ser mãe. É fabuloso. Fantástico. Dar a luz (seja por qualquer método escolhido) é surreal.

Como cesária não é uma caixinha de surpresas, eu já sabia que no dia 29 de Maio, meu Guilherme chegaria para alegrar nossa vida. Por mais que eu quisesse, durante toda a semana que antecedeu o parto, a ansiedade tomou conta de todos os integrantes de casa. Sabíamos que nossa rotina não seria mais a mesma. Estávamos com medo de como seria a relação do Caio com o irmão e como ele reagiria ao entender que não era mais o único.

Optamos por ter bebê em Volta Redonda, pouco mais de 100km da minha cidade. Por isso, meu pré parto começou no domingo a noite, quando fomos para a cidade, a fim de não correr risco de nos atrasarmos, afinal minha cesária foi marcada para às 7 horas da manhã de uma segunda-feira.

Já no domingo a noite, instalados na casa do meu cunhado, a ansiedade foi a palavra da vez e não conseguíamos pregar os olhos. Eu só pensava em tudo que aconteceria em tão poucas horas a frente e meu maior medo era em como o Caio iria reagir a tudo isso.

No dia seguinte, às 5h eu já estava de pé. Tomei um longo banho, me arrumei, conferi as malas e acordei meus meninos. Quem me acompanhou no instagram, viu minha indignação em saber que o Caio não poderia permanecer comigo no Hospital. Mas fui confiante de que tudo daria certo.



Chegamos no Hospital na hora marcada, logo em seguida, minha mãe, irmã e sobrinhos chegaram. Um pouco depois, meus sogros. Caio, que estava com muito sono, começou a ficar um pouco apreensivo com a movimentação e eu, cada vez mais nervosa. Segunda gravidez é algo engraçado! Na primeira eu não tive medo ao entrar no Hospital ou no Centro Cirúrgico. Estava em êxtase, radiante, apesar de toda cautela que tínhamos pelo parto ser prematuro. Desta vez foi diferente. Tinha um medo muito grande em mim. Medo de dar algo errado, medo de não ver meus filhos ... logo eu, que nunca tive medo de Hospital ou procedimentos médicos estava apavorada.

Fizemos todos os procedimentos burocráticos da recepção e logo subimos para o quarto. Ali foi a primeira bomba de emoção pela qual passei no dia 29. A hora da separação. Escrevo chorando, pois, quando não me permitiram subir com o Caio para o quarto, ele chorou de um lado e eu desmontei de outro. Tudo que eu queria era que meu pequeno estivesse comigo, conosco naquele momento. Foi a parte cruel do dia. Mesmo minha mente sendo racional e entendendo as políticas hospitalares, meu coração não se aguentava.


Nos instalamos no quarto pouco antes das 7h. Foi bem rapidinho, tempo suficiente para separamos as roupinhas que Guilherme usaria após o nascimento, algumas fotos e o Bruno descer para um café. Coincidentemente, Bruno não estava na hora que me chamaram pro centro cirúrgico na gestação do Caio. Acreditem ou não, ele foi em casa fazer a barba! Desta vez, ele resolveu tomar café e adivinhem? Me levaram para o centro cirúrgico sem ele! Se eu já estava em pânico, fiquei mais ainda ... sorte a minha que minha mãe estava comigo! E ele logo chegou! 

Procedimentos de centro cirúrgico começaram com aquele bom dia do médico, que me acompanhou nas duas gestações. O lado positivo é além de uma certa intimidade, a extrema confiança no profissional que havia escolhido. Me apresentaram a equipe e logo aplicaram a anestesia.

Em segundos já não sentia as pernas. Sabia que em breve meu pequeno Pingo estaria ali, ao meu lado .. uma gestação que foi extremamente saudável, não teria problema nenhum no final né? 
Não teria se não estivéssemos falando da minha gestação. 

Como qualquer cesária, sabemos que a cirurgia é rápida, em média com 10 a 15 minutos os pais já escutam o chorinho do bebê. Como já havíamos passado por isso, eu e o Bruno conversávamos calmamente, enquanto a Val (queridíssima fotografa, que foi meus olhos neste dia tão especial, fazia belos cliques), até que percebi que algo estava errado. 

Primeiro pela tensão no ambiente. Logo olhei para o Bruno e percebi que ao invés de conversar comigo, ele estava com semblante assustado. Depois pela movimentação do centro cirúrgico, que se concentrou junto aos médicos e por fim, por perceber que os cirurgiões estavam fazendo manobras em mim.

Logo entrei em pânico. Comecei a chorar, porque estava sentindo dor, não sabia o que estava acontecendo, perguntava ao Bruno e ele só me olhava assustado. E nada de nosso bebê chorar.
Comecei a perguntar onde estava o bebê, o que estava acontecendo e só via as pessoas se aproximando dos meus médicos com olhares assustados.



Acredito que tudo isso tenha durado uns 10 minutos. Mas o desespero foi tão grande, o silêncio tão assustador que parecia uma eternidade! Enfim, Guilherme chorou! E a primeira coisa que escutei do meu obstetra foi: "Louise, não imaginava um bebê tão grande! E ele é a cara do Caio.", pronto, ali meu coração explodia de felicidade.



Guilherme chegou ao mundo às 07h39min, do dia 29 de Maio, rodeado de amor e muito carinho. Dizem que cesária não é um ato humanizado. Tive sorte em meus dois partos, fui extremamente bem atendida, não tenho do que reclamar. A humanização nessas horas fica por conta dos profissionais que nos acolhem. 




Guilherme nasceu com 3.040kg, 48cm e pela demora em seu nascimento (ocasionada porque meu grandão estava agarrado em minha costela), precisou ficar 30 minutos no oxigênio. Eu não sabia e acho que ninguém me falou para que eu ficasse mais nervosa, porém lá fora estavam aguardando para conhecer meu pequeno, seus avós, tios, primos e o mais especial de todos os presentes, Caio!
Sim! Deixaram meu pequeno subir e acompanhar o parto! E ele aguardou super comportado a chegada de seu irmão!

Enquanto eu me recuperava dos efeitos da cirurgia, a poucos metros de mim acontecia sem sombra de dúvidas uma das cenas mais importantes da minha vida. Graças a Deus pude contar com o profissionalismo e amor da Valquíria Cabral, que registrou o momento mais lindo que eu já vivi! Sim, vivi em emoções, na fotografia e com o coração. Meu maior desejo se realizou.



Escrevo esse post exatamente um mês após o nascimento do Guilherme. Foi um renascimento. É um constante aprendizado. Tem horas que acho que não vou dar conta, mas olho para cenas como esta e tenho a certeza de que ser mãe é a melhor coisa do mundo. E não é romantizar a maternidade ou omitir os ônus de tudo isso. É que ser mãe é isso mesmo. Uma montanha russa daquelas bem loucas que a gente vê por aí. Quando acreditamos que está tudo tranquilo, viramos de ponta cabeça. Não tem manual, não tem pitaco que nos ajude. O manual é você, seu jeito, sua crença, seus ideais e valores. Se é que posso dizer alguma coisa um mês após me tornar mãe de dois é que, parece que não vamos suportar, parece que vamos enlouquecer, parece que vamos fraquejar, mas no fim ... a no fim, morremos é de amor!

Confiram mais fotos do dia lindo que vivemos:

































Um comentário on "MEU RENASCIMENTO COMO MÃE | RELATO DE PARTO DO GUILHERME"