Coisas que ninguém te conta quando você decide ser MÃE EM TEMPO INTEGRAL

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19 agosto 2016

No meio de uma pilha de pratos pra lavar, almoço por fazer, lava roupas trabalhando em larga escala, uma montanha de roupas para passar, casa para varrer, a bebê chora e a filha mais velha grita querendo atenção. Tem dias que a cabeça falha, o corpo implora por cinco minutinhos a mais de sono e mesmo assim ainda há quem diga que sou apenas uma mulher que vive as custas do trabalho do meu marido. Ainda dizem que o Brasil não vai pra frente porque existem mulheres que, assim como eu, pararam as suas carreiras para se dedicar aos filhos. “Por que vocês sabem, né? Essas são as mais preguiçosas. Não querem nada com a vida e odeiam trabalhar”.
Dia desses nas redes sociais, vi uma MÃE dizer que não consegue entender como alguém deixa de trabalhar para cuidar dos filhos. Desde esse dia, estou com um texto pronto na cabeça e cheia de certeza de que a nossa sociedade não vai pra frente porque ainda existe gente que prefere viver a vida da gente. Deu pra entender? Não? Então, senta aí que eu vou te explicar.
Sair para trabalhar não é tão fácil assim, eu já estive nesse lugar. Não deixei de ser mãe por causa disso, muito pelo contrário: sofria naqueles dias em que o trabalho não tinha hora para acabar. Sempre fui inquieta, obstinada, criativa e ficar algumas horas sem produzir sempre foi um martírio para mim. Pensava nela e pensava em mim. Repetia incansáveis vezes até tentar me convencer (as vezes, sem muito sucesso) de que era o melhor a fazer. E assim vivi alguns anos maternos!
Já virei noites em escritório sem colocar a filha para dormir, perdi os momentos mais importantes do seu desenvolvimento, acompanhava pela agenda e pela avó o seu dia a dia, falava “eu te amo” pelo telefone com a voz embargada porque eu queria mesmo era estar ali. Ao mesmo tempo que a vida de trabalho me tirava o dia a dia materno, ela me permitia ser produtiva, altiva, dona de mim e com certo dinheiro no bolso. Almoçava sem choro, sentada e sem pressa. Ia ao banheiro sem companhia. Vestia as minhas melhores roupas e estava sempre maquiada. Falava ao telefone sem interrupções. Eu tinha opiniões que iam além do enxoval, gases, como fazer uma criança dormir… eu vivia em dois mundos e nem sabia.
Hoje, eu não sou a mesma, tenho outros valores! Resolvi me despir de mim mesma e investir em afeto, em amor, em atenção, priorizar a infância das minha filhas e as suas necessidades tão primárias e fundamentais. Essa não foi, nem de longe é uma decisão fácil. Deixei o meu ‘eu profissional’ de lado e me tornei “apenas” mãe. Mãe criativa, mãe altiva, mãe produtiva, mas apenas mãe.
Hoje, vivo dias de cansaço extremo, dias de felicidade, dias de medo do futuro, dias de aperto financeiro, dias em que não posso tudo o que quero. Tenho companhia no banheiro, almoço em pé na hora que dá, varro a casa, lavo a roupa, passo a roupa, faço comida, dou banho, dou comida, dou amor, dou colo, dou afeto. Brinco, ensino, reclamo. EDUCO. Sou a primeira a ver todas as conquistas e fotografo para contar para o papai e para toda a família. Faço fantasias para economizar um “dindin”, coloco a mão na massa, me reinvento todos os dias.
Sou coruja, leoa, canguru, orgulhosa de quem me tornei, mas nem sempre sou respeitada, nem sempre sou compreendida. Somos seres (des) humanos, respeitar as decisões alheia não é o nosso forte. Quantas vezes me disseram que eu não tinha sequer motivos para ficar cansada? Que eu não tinha preocupações financeiras? Que eu devia saber de “có e salteado” as series e novelas? Na sua imaginação fértil, e só nela, eu sou isso.

{Lindo texto de Ananda Urias}
Um comentário on "Coisas que ninguém te conta quando você decide ser MÃE EM TEMPO INTEGRAL"
  1. Não é fácil, tem momentos de estresse, mas com toda a certeza, vale a pena!!! Os melhores momentos da minha vida são ao lado da minha pequena!!!
    Beijos Mila (@mundodamae)

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