Relato de Parto - O Meu Parto!

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05 março 2016



Relatar um parto para muitas, é motivo de boas lembranças. É uma nostalgia saudável.
Eu gostaria também de ter tantas boas lembranças assim.
Tudo começou com um positivo surpresa, mas com a certeza de que ali nascia um amor único em nossas vidas. Na minha e na do Bruno, afinal, filho é algo gerado pelo amor de duas pessoas e assim deve ser a gravidez e todo o período de puerpério. É de extrema importância que o marido esteja presente em cada passo dessa nova etapa da vida do casal.

Bruno viveu a gravidez comigo. Brinco dizendo que engravidamos juntos e que as vezes, os sintomas judiavam mais a ele do que a mim mesma.
Os meus três primeiros meses foram desafiadores! Muita dor, enjoo e mal estar.Nada além de picolé de limão descia! Eu que já sou magra por natureza, virei um palito e ninguém percebia minha gravidez.

No quarto para o quinto mês de gestação, sofri uma queda no trabalho, que como consequencia tive uma ruptura de bolsa alta. Um dia que jamais esqueceremos. Entrar no PS, jorrando líquido aminiótico e com a certeza de que nada ia bem, fez meu mundo ir do céu ao inferno em minutos. Não gosto nem mesmo de relembrar esse dia, e a primeira violência obstétrica vivida ali, extremamente fragilizada.
Em meio desse turbilhão de emoções, eu, mãe de primeira viagem, agarrada a todas as minhas esperanças, entrei no PS da cidade em busca de uma palavra de carinho, a atenção de um bom profissional (já que o meu obstetra não estava na cidade) e de uma solução para o que acontecia. O que encontrei foi uma médica mal humorada, irritada por uma gestante entrar na emergência às duas horas da manhã.
Nem bem entrei no consultório e já ouvi: “- isso não é nada, você fez xixi na cama e está assustada!”.
Oi?!
Eu entro aos berros no hospital, com dor, perdendo líquido e a médica acha que simplesmente fiz xixi na cama.
Respirei fundo, parei de chorar, meu marido tomou uma água e quando a médica realmente constastou a gravidade do problema, foi arrogante e grossa. Mal olhou em nossos olhos e disse:
“- É, pelo jeito é grave. Não deve segurar. E nesse caso, tão pouco tempo, escolho a mãe do que o bebê.”
Eu estava a meio metro dela,e ela foi incapaz de ao menos me dizer algo confortante ou segurar minha mão.

Fui internada, meu marido assinou uma série de papéis por conta do risco da gravidez e ninguém dormiu.

Dali, passei dois dias internada, e depois por alta do meu próprio médico, fui direto para o repouso absoluto em casa, onde só levantei dois dias antes do Caio nascer, as 34 semanas de gestação.

No dia em que eu fui para o Hospital passando mal (e o Caio nasceu, por sofrimento fetal), eu não imaginava que ele nasceria. Acordei cedo, passando mal e lá fui eu novamente ao PS da cidade. Imediatamente internada, exames pedidos e eu lá, nervosa sem saber se havia algo de errado com meu filho.

Fizemos uma US onde foi constatado o sofrimento fetal e me internaram no quarto, para que meu obstetra me avaliasse. Ligaram para o médico uma, duas, três, DEZ vezes e NADA Cadê o médico, meu Deus!
Após mais de 4 horas com dor, sendo monitorada, meu médico ligou informando que só me atenderia depois de fechar o consultório, as 19 horas. Eu cheguei no hospital às 8 horas da manhã … Naquela situação não sabia se seria transferida de hospital, seu meu filho nasceria naquele dia, ou se eu ficaria internada. Ninguém me dava informação alguma e a única coisa que me diziam era: “ - precisamos aguardar seu médico!”.

Meu marido, que em nenhum momento saiu do meu lado, já estava nervoso e foi em casa buscar as coisas do Caio.
Meu médico chegou, me examinou e disse: “- pois é, Caio virá ao mundo hoje! Espere um pouco, já vamos lhe chamar!”.

Desespero bateu! Eu, sozinha no quarto de hospital, sem celular (mina bateria tinha acabado no meio do dia), sem conseguir avisar ao meu marido que não demorasse e sem comunicação com meus pais, que moravam em uma cidade distante.

Foram os momentos mais angustiantes que vivi. A preocupação com o bebê, o medo de entrar no centro cirúrgico sozinha, o não saber mais nada do que viria pela frente.

Meu médico só me chamou depois das 22hs (hora paga a mais pelo plano, pois é caracterizado por emergência). Quando eu entrei no centro cirúrgico, gelei, travei … quase desmaiei … A mesma médica do primeiro episódio ruim na gestação, seria a obstetra auxiliar. Não conseguia acreditar naquilo. Mas entreguei à Deus e as 22:26hs do dia 08 de novembro, Caio veio ao mundo!

Grito forte, boca aberta e apenas uma foto corrida, pois ele deveria ir imediatamente para UTI Neo.

Depois de passado o susto, o agradecimento por um filho saudável, apesar de aspirar cuidados na UTI, as considerações sobre minha total inexperiência no parto e a certeza de que infelizmente não sou a única a sofrer pressão médica.

Meu médico desde a primeira consulta relutava um parto normal, colocou milhões de empecilhos para que o meu não fosse. Ora eu era muito magra, ora minha cicatriz de uma antiga cirurgia não iria aguentar até o final, ora era a gravidade de minha gestação.

Meu médico por vezes, disse que eu era mimada e que minhas dores não eram “verdadeiras”, eram apenas mimo.

Meu médico quis marcar meu parto para a 36ª semana, pois ele entraria de férias.

Eu sou só mais uma estatística de que infelizmente, aqui em nosso país, parturientes não são respeitadas.

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Caio nasceu as 34 semanas decorrente de uma bolsa rota e de uma ruptura de bolsa alta.
Permaneceu na UTI por 7 dias devido a icterícia, doses altas de antibióticos que deveriam ser administradas por causa da bolsa rota e pela dificuldade respiratória. Uma semana depois de ter tido alta, Caio retornou a UTI por sangue nas fezes, que tiveram dois diagnósticos diferentes: falta de vitamina K pela prematuridade e\ou alergia a proteína do leite de vaca.! Graças a Deus, hoje Caio é um menino super saudável!

21 comentários on "Relato de Parto - O Meu Parto!"
  1. Amiga, chorei com seu relato. Imagino seu desespero e o de seu esposo. Infelizmente, como você disse, somos apenas uma estatística. Me pergunto até quando? Graças a Deus correu tudo bem e, hoje, Caio é uma criança saudável.

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    1. É amiga, nosso país precisa mudar, urgentemente! Se somos tratadas assim pagando, imagina só o que não sofrem as menos favorecidas?

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  2. Nossa Louise sentir meu estômago embrulhar ao ler a série de violência que você sofreu. Denuncia esses médicos! Que seres sem amor à profissão.
    Graças a Deus que não aconteceu nada de mais grave com o Caio! ����
    Deveria divulgar o nome desses monstros, para que outras mulheres não sofra o que sofreu.

    Obrigada por compartilhar seu relato. Imagino o quão difícil foi��

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    1. É amiga, muito difícil. Na época abrimos reclamações no Hospital, mas nada foi feito. Infelizmente, é o Brasil.

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  3. Louise guerreira!!! Caio está lindo e saudável graças a Deus. Que ele continue sendo abençoado. 😍😍

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  4. Nossa Lou, lendo seu relato veio de volta o que eu passei também. Felizmente fui muito bem acolhida e tudo deu certo.

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  5. Meu Deus, estou aqui (grávida de novo) com um misto de sentimentos que vai da raiva a indignação! Nem sei o que eu faria se fosse comigo! Às vezes o grande problema é que as pessoas não se colocam no lugar das outras e sempre tem esses fdp (desculpa o palavrão), que agem assim!

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  6. Lou, me emocionei com teu texto! E fiquei completamente indignada com esses obstetras. Graças a Deus que tudo acabou bem, mas essa historia, esse sofrimento todo ninguém te tira...difícil mesmo! Mas preciso te perguntar, diante dessa postura do médico tu nunca pensou em trocar de profissional?

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    1. Tati, obrigada pelas palavras ... Na época, eu com medo de todo o processo (acidente de trabalho, ter sido mandada embora grávida após a queda, estar em uma cidade diferente) não me sentia tão segura em trocar de médico no meio da gestação! Hoje em dia, penso diferente e com certeza se engravidar novamente, jamais deixaria que isso acontecesse de novo!

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  7. Nossa que horror, apesar de escutar bastante casos, a gente sempre acha que não vamos passar por isso né, mais infelizmente ninguém está livre, e outra coisa que juro não consigo entender como pode a pessoa estudar anos, saber como é a profissão e se formar e trabalhar nela né, tenho uma raiva desses "profissionais"
    Mais que bom que no final tudo está ótimo .. Filho lindo e saudável

    Bjs Mi Gobbato - Espaço das Mamães

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  8. Chorei com seu relato... Que triste realidade da saude do nosso país... Triste nao so pelas condicoes, mas pela falta de humanidade de alguns profissionais de saude...

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  9. Menina, que susto! Mas, Deus é pai! Caso explícito de violência obstétrica! Isso é inaceitável! Vamos combater isso e divulgar para que outras mães não sofram assim!

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  10. Muito complicado, tem muito profissional que deveria fazer curso de reciclagem, nossa!
    Ainda bem que no final deu tudo certo.
    bj,
    Alê

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  11. Lindo relato ;) caiu um cisco no meu olho ;)

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  12. Nossa emocionei com o texto... Infelizmente existe péssimos profissionais..

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  13. Nossa emocionei com o texto... Infelizmente existe péssimos profissionais..

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  14. Nossa, quantos absurdos! Ainda bem que ficou tudo bem! 😘@caroleassinhazinhas

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  15. É triste ver que até hoje somos tratadas com tanto descaso por aqueles quem mais deveriam ter compaixão. Mas graças a Deus você é seu filho estão bem hoje!
    Blog maternidade sem frescura

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  16. Lindo relato, me emocionei, infelizmente existem profissionais que não se atualizam, inaceitável! Mas graças a Deus deu tudo certo. Bj

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  17. Nossa Lou me emocionei com sua história, tem diversos profissionais ruins no mercado e infelizmente tem médicos também.
    Gracas a deus ficou tudo bem Lou.

    Mari

    vamosmamaes.blogspot. com.br

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