A Importância da Vitamina D em Gestantes e Crianças.

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13 novembro 2015

Dra. Vanessa Radonsky
Pediatra e Endocrinologia Pediátrica.
www.vanessaradonsky.com.br


Atualmente, a insuficiência e/ou deficiência de vitamina D tem sido considerada um problema de saúde pública no mundo todo, em razão de sua importância não somente no metabolismo ósseo, mas sua correlação com os demais órgãos e tecidos e suas implicações em doenças não ósseas.

A vitamina D trata-se de um pré-hormônio que associado ao PTH (paratormônio) atuam como reguladores da homeostase normal do cálcio e do fosforo além do metabolismo ósseo. Sabe-se que os receptores deste hormônio podem ser encontrados em diversos tecidos do nosso organismo, como rins, glândulas paratireoide, intestino e ossos entre outros. A deficiência de vitamina D tem sido relacionada a retardo de crescimento e raquitismo em crianças e osteomalácea e hiperparatireoidismo secundário em adultos com consequente redução da massa óssea levando ao desenvolvimento de osteopenia e osteoporose. Outras alterações também são descritas como à diminuição da força e da massa muscular, com prejuízo do equilíbrio, propensão a doenças cardiovasculares, câncer e diabetes, entre tantas outras correlações recentemente apresentadas.

Alimentos como óleo de fígado de bacalhau, peixes gordurosos como o atum e o salmão e cogumelos secos ao sol são ricos em vitamina D, porém sua principal fonte é sua síntese realizada na pele. Após a síntese cutânea, a vitamina D entra na circulação e é transportada para o fígado aonde ocorre a primeira hidroxilação para a 25(OH)D ou calcidiol, que será secretada no sangue. A maioria da 25(OH)D produzida é depositada no tecido gorduroso, seu principal reservatório. Para se tornar ativa, a vitamina D necessita ainda de uma última hidroxilação que ocorre no rim, sob ação da enzima 1-α hidroxilase, transformando-se em 1,25(OH)D ou calcitriol .

A enzima 1-α hidroxilase pode ser encontrada ainda em outras células e tecidos, tais como pele, próstata, mama, intestino, pulmão, célula β pancreática, monócito, células da paratiroide e placenta. A produção do calcitriol é controlada principalmente pela concentração de paratormônio (PTH), cálcio e fósforo séricos participando da absorção intestinal do cálcio, função muscular, modulação da secreção de PTH e função das células ósseas.


Entre os principais fatores de risco para hipovitaminose D estão:

- Pouca exposição solar (uso excessivo de roupas, uso de bloqueados solar, confinamento em locais aonde não há exposição a luz UVB).
- Diminuição da capacidade de sintetizar vitamina D na pele (envelhecimento, tipo de pele e raça amarela).
- Doenças que alteram o metabolismo da 25(OH)D ou calcitriol.
- Obesidade.
- Aleitamento materno.
- Imobilização.
- Doença cardíaca, hepática, intestinal ou renal.
- Uso de medicamentos como anticonvulsivante, glicocorticoide, antifúngico e antiretroviral.



O nível individual do status da vitamina D é mensurado por meio dos níveis plasmáticos da 25(OH)D. Considera-se que o nível ótimo de vitamina D seria aquele
necessário para manter o PTH em níveis adequados, visto que a deficiência de vitamina D leva à diminuição do cálcio no sangue, e consequentemente, estimula as glândulas paratireoides a liberar o PTH, a fim de elevar a reabsorção renal e óssea do cálcio.
Podemos classificar os indivíduos como deficientes, insuficientes ou suficientes em vitamina D conforme a tabela abaixo:
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25(OH)D (ng/mL)
Deficiência < 20
Insuficiência 20-29
Suficiência 30-99


Em nosso meio, a forma mais disponível de vitamina D para tratamento e suplementação é o colecalciferol ou vitamina D3 que é o metabólito que tem se mostrado mais efetivo. As formas ativas da vitamina D, como calcitriol, não devem ser utilizadas quando o objetivo for suplementação ou no tratamento da deficiência de vitamina D, por seu maior risco de efeitos colaterais.

O uso de calcitriol deve ficar reservado para situações especiais, como na insuficiência renal crônica, nos raquitismos dependentes de vitamina D tipo 1 e tipo 2 e nos raquitismos hipofosfatêmicos, ou em casos de má-absorção extrema. O uso de calcitriol pressupõe um controle muito mais rigoroso da calcemia e da calciuria, pois hipercalcemia pode ocorrer com frequência.




Vitamina D na infância:

Nos dois primeiros anos de vida da criança o crescimento é muito acelerado e é extremamente importante que a criança receba um aporte adequado de vitamina D.
O leite materno e o de vaca são pobres em vitamina D, além disso necessita da luz solar para seu aproveitamento , portanto crianças que vivem em regiões de clima temperado ou frio, e em cidades grandes como São Paulo, onde o inverno, a poluição ambiental e o hábito de se manter as crianças demasiadamente vestidas ou dentro de casa, podem desenvolver a deficiência de vitamina D.

A Academia Americana de Pediatria, assim com a Sociedade Brasileira de Pediatria recomendam o uso de vitamina D de 400UI a 800UI para as crianças até 2 anos de idade. Após esta idade o uso de vitaminas apenas está indicado em criança que não conseguem atingir a quantidade de vitamina D recomendada apenas com alimentação e luz solar como aquelas com doenças crônicas, desnutridas e nas adolescentes gestantes.

Para uma boa saúde dos ossos é recomendado para as crianças uma ingestão adequada de cálcio que pode ser adquirida com a ingestão de três porções de leite ou derivados por dia, considerando uma porção como um copo de leite ou uma fatia de queijo branco, por exemplo.

A exposição solar também é de fundamental importância como já foi dito anteriormente, pois a pele tem alta capacidade de sintetizar vitamina D. Mesmo sendo difícil a determinação da quantidade de exposição solar necessária para a prevenção da deficiência de vitamina D.
Sabe-se que aumentar a superfície de pele exposta ao sol diminui proporcionalmente a quantidade de tempo que é necessário permanecer ao sol para produzir a mesma quantidade de vitamina D. A duração da exposição ao sol não deve ser superior a metade do tempo que a pele demora a ficar rosada.

Outro cuidado que se deve ter para a produção da vitamina D é a exposição diretamente na pele sem ser bloqueado por protetor solar, vidro e plástico.

Podemos concluir que, durante a gestação e na infância, o suprimento adequado de vitamina D é considerado fundamental em diversos setores, principalmente para o metabolismo ósseo. Estabelecer estratégias nutricionais para aumentar o consumo de alimentos ricos em vitamina D assim como otimizar a exposição solar neste grupo torna-se muito importante.



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